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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Rewind 2010 - Música



Álbuns do Ano:
1. Oneohtrix Point Never - Returnal
2. Antony & The Johnsons - Swanlights
3. Forest Swords - Dagger Paths
4. Pantha du Prince - Black Noise
5. Caribou - Swim / Solar Bears - She Was Colored In
6. Tame Impala - Innerspeaker
7. Autechre - Oversteps + Move of Ten
8. Flying Lotus - Cosmogamma
9. Brian Eno - Small Craft on a Milk Sea
10. Pan Sonic - Gravitoni


Canção do Ano
Antony & Oneohtrix Point Never - Returnal



Re-edições:
Iggy and the Stooges - Raw Power
Nine Inch Nails - Pretty Hate Machine

Banda Sonora:
Trent Reznor & Atticus Ross - The Social Network

Concertos:
Alva Noto & Blixa Bargeld (Maria Matos, 21 de Setembro)
Sunn O))) + Eagle Twin (LX Factory, 2 de Fevereiro)
Sonic Youth + Gala Drop
(Coliseu, 22 de Abril)


Surpresas
Tristan Perich, ANBB, Bill Orcutt, Tristan Allen, Gil Scott-Heron, James Blake, Zola Jesus

RIP Captain Beefheart

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

"00's Rewind: Álbuns da década


Radiohead - Kid A

Radiohead - In Rainbows

Aphex Twin - Drukqs

Burial - Burial

Tool - Lateralus

The Mars Volta - Deloused In Comatorium

Scott Walker - The Drift

Sunn O))) - White 2

Alva Noto + Ryuichi Sakamoto - Insen

Bjork - Vespertine

AGF/Delay - Explode

Portishead - Third

Buddha Machine




00's Rewind

O fenómeno mais influente na música da última década? Internet. Mudou tudo - a forma como ouvimos música, a forma como compramos (ou não compramos) música, e principalmente a forma como descobrimos nova música.

Em minha opinião, as maiores diferenças musicais na última década deram-se no domínio da música electrónica. Impôs-se como um género para levar a sério, deixou para trás o rótulo de música de dança e evoluiu para outros domínios, contaminou o rock, a música mais experimental, e atingiu finalmente a maturidade. À cabeça vêm Aphex Twin, Autechre, Radiohead, Bjork, LCD Soundsystem, Portishead, Vladislav Delay - todos usaram a electrónica de uma forma original e revolucionária.

Um dos subgéneros a surgir da nova década foi o Dubstep, com raízes no Grime e Drum 'n Bass. Deu-nos a primeira obra-prima: Burial. É música negra e depressiva da metrópole em câmara lenta.
A música nesta década tornou-se mais depressiva - basta ouvir The Drift, a obra monumental de Scott Walker. O Noise atingiu as massas com Wolf Eyes, e o Drone alastrou-se de mansinho desde o início dos anos 90 até agora, com Earth e Sunn O))) a surgirem com um metal como nunca o tínhamos ouvido, despido de voz (na maior parte das vezes) e de estamina - o som simples e mínimo da guitarra eléctrica, que consegue na mesma ser épico, poderoso, enigmático. Há quem diga que é pós-metal, eu digo: finalmente que o metal cresceu nesta década.
O minimalismo foi transversal a muitas áreas da música: do drone à música de dança. Em minha opinião, os projectos de Alva Noto & Ryuichi Sakamoto foram o exemplo mais acabado do minimalismo nesta década. Mas surgiram exemplos interessantes de Sigur Rós, David Sylvian, entre outros.
O hip-hop e o indie eclipsaram tudo o resto na imprensa especializada e na televisão. Bandas que duram dois anos, músicas que duram semanas... paradoxalmente, o indie transformou-se pouco a pouco em pop e apostou a sua existência no momento, nos hits e nas bandas da moda. Os símbolos foram Arcade Fire e Animal Collective, e a figura do hip-hop foi Jay-Z.

Nesta década, assistiu-se sobretudo à desfragmentação dos géneros - ao mesmo tempo que a divisão teórica da música acelera para os sub-géneros também deixou de haver apenas uma moda, mas várias modas coexistindo. O minimalismo está tão forte como o rock psicadélico.
Já nada é uncool, como refere Brian Eno.
Essa mudança teve muito a ver com a desmaterialização e fácil acessibilidade da música que ofereceu a internet. O In Rainbows de Radiohead, apesar de tardio, foi o símbolo desta viragem.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

2009 Rewind - Música



Álbum do Ano
Kurt Vile - Childish Prodigy
Para ouvir na totalidade aqui.

Sun O))) - Monoliths & Dimentions
Lightning Bolt - Earthly Delights
Vladislav Delay - Humma
Ben Frost - By The Throat
The xx - xx
Omar Rodriguez Lopes
(EPs: Megaritual / Despair / Cryptomnesia/ Los Sueños de un Higado / Xenophanes / Solar Gambling)

Álbuns pop
que, por uma razão ou outra, funcionaram para mim este ano:
Girls - Album
Fever Ray - Fever Ray

New Old & Old New:
Sonic Youth - The Eternal
The Dead Weather - Horehound
The Horrors - Primary Colors




Compilações:
Warp 20
5: Five Years of Hyperdub

Bandas Sonoras:
The Limits of Control
Inglorious Basterds

DVD
Alva Noto | Ryuichi Sakamoto - utp_ Live (CD+DVD)
Nirvana - Live at Reading

Reissues:
Nirvana - Bleach
Pearl Jam - Ten
Bauhaus - In The Flat Field / Mask
Nick Cave - From Her To Eternity / Your Funeral... My Trial / Kicking Against The Pricks / The Newborn Is Dead

Concertos
Valery Gergiev / Orquestra do Teatro Marinsky de S. Petersburgo - Coliseu dos Recreios (17 de Janeiro)
Daniel Barenboim / Lawrence Foster / Orquestra Gulbenkian - Coliseu (21 de Setembro)
Steve Reich & Bang on a Can Band - CCB (1 de Novembro)
Gonzales - Culturgest (3 de Novembro)
Nico Muhly, Sam Amidon, Ben Frost, Valgeir Sigurosson - Teatro Maria Matos (5 de Novembro)
Moritz von Oswald Trio - Teatro Maria Matos (25 de Novembro)
B-Fachada + Kurt Vile - Frágil (9 de Dezembro)

Livros sobre música
The Wire: Primers
The Rest is Noise: Listening to the Twentieth Century - Alex Ross

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Rewind 2008 VIII: Discos

Álbuns do ano:



Portishead • Third
Arrependi-me tremendamente de não ter ido ao concerto de Portishead de 27 Março, no Coliseu. Numa altura em que se preparam para lançar novo trabalho em breve (já em 2009), o nome Portishead está a tornar-se rapidamente numa ideia de banda mítica, feita do mesmo material que Radiohead e poucos mais, da qual só se espera evolução e revolução. Third é o disco mais original do ano. É inovador no uso da voz e da electrónica, e um corte em relação aos ambientes solitários, urbano-depressivos de discos anteriores, mais associados com o trip-hop dos anos 90.
Queremos mais.
www.portishead.co.uk/



Toumani Diabaté • The Mandé Variations
Toumani Diabaté é um dos descendentes dos mestres de kora do Mali. Nos últimos anos, Diabaté tem atingido sucessivamente maior fama internacional, e com toda a justiça. Música tradicional que não é tradicional - a kora transforma-se num instrumento moderno. Um disco para re-descobrir a música do Mali e de África. O concerto no CCB, em Agosto de 2008, foi uma revelação (ver Rewind 2008 II).
http://www.myspace.com/toumanidiabate

Nick Cave & The Bad Seeds • Dig!!! Lazarus Dig!!!
Confesso que nunca dei muita atenção a Nick Cave. Quando dei por ele, já ele estava em Let Love In e Nocturama, com referências religiosas despropositadas, que pouco sentido faziam para mim na altura. Depois de ver a interpretação de Nick Cave (com Blixa Bargeld) da música From Her To Eternity, na sequência final em As Asas do Desejo de Wim Wenders, resolvi dar-lhe uma segunda oportunidade. À terceira, e depois de Grinderman, e das bandas sonoras de The Proposition e The Assassination of Jesse James... resolvi que Nick Cave merece ser ouvido e que Dig!!! Lazarus Dig!!! é um dos melhores álbuns de 2008.
http://www.nickcaveandthebadseeds.com/

AGF • Words Are Missing
O álbum Explode (2005), resultante da colaboração de AGF com Vladislav Delay, é, na minha modesta opinião, dos álbuns mais originais desta década e uma obra-prima do minimalismo. O álbum a solo que AGF (Antye Greie) fez a seguir, Words Are Missing, é manipulação de sons (electrónicos) no seu melhor, algo parecido com o mundo sonoro exactamente antes da formação/dicção das palavras. O novo álbum do duo AGF/Delay (marido e mulher) tem data marcada já para Fevereiro de 2009.


Label do ano:

RASTER-NOTON:
Alva Noto • Unitxt
Kangding Ray • Automne Fold
Byetone • Death of a Typographer
Ryogi Ikeda

Alguém me sabe explicar porque é que a melhor música electrónica é sempre feita na Alemanha? A label alemã de música electrónica Raster-Noton, fundada, entre outros, por Carsten Nicolai (Alva Noto) em finais dos anos 90, é das maiores forças impulsionadoras da música electrónica contemporânea, principalmente na área do minimal. Todos os discos têm um design impecável e extremamente económico em termos gráficos; o som é algo entre o experimentalismo, ambientes e as batidas do minimal alemão. Os concertos fundem o DJset com o evento multimédia.
Alva Noto é a força motriz da label, o seu album mais conhecido é provavelmente Insen, a segunda colaboração com Ryuichi Sakamoto (o concerto em DVD do tour Insen foi rodado na Casa da Música, Porto). Cada vez mais artistas se tornam visíveis através da Raster-Noton, como Kangding Ray, Byetone, COH e Frank Bretschneider (basta ver o top da revista Wire), numa label que é uma espécie de sucessora da WARP. A WARP parece ter parado no tempo em termos de música electrónica, para explorar outros caminhos, como o rock indie, e por isso, nomes como Aphex Twin, Squarepusher e Autechre tornaram-se grandes demais e são agora a nova regra que é preciso desregular.




Bandas com história, com álbuns que não fizeram história:
The Mars Volta • The Bedlam in Goliath
Nine Inch Nails • Ghosts I-IV + The Slip
Einstürzende Neubauten • The Jewels
Beck • Modern Guilt
Elbow •
The Seldom Seen Kid

e ainda:
Earth • Hex
Black Mountain • In The Future
The Last Shadow Puppets • The Age Of The Understatement
e as Bandas Sonoras de The Dark Knight, de Hans Zimmer e James Newton Howard, e Waltz With Bashir de Max Richter.

Mais tarde neste blog: Manifesto anti-IndieLixo.

Re-edição do ano:

Miles Davis • Kind of Blue (50th Anniversary)