segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Descoberta: Raime





The 00's generation

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“All those moments will be lost in time, like tears in the rain,” goes the Roy Batty/Blade Runner sample on Zomby’s ‘Tears In The Rain’, and it’s entirely apt for this exercise in undead uncanniness: Blade Runner was frequently sampled in the rave and hardcore that is ruff and readily reconstructed on Where Were U.

The 00s generation have much in common with replicants – immersed in a culture given over to retrospection, it is as if they have had other people’s memories implanted into their minds. In the end, though, the album contradicts Batty’s plaint – in the digital age, nothing is lost; everything comes back.

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Fact Magazine

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Rammellzee e Beat-bop

É impressionante (e ligeiramente deprimente) que só consigamos ouvir falar de alguns raros talentos depois de figurarem no obituário. Foi precisamente aí, nos obituários do New York Times que fiquei a conhecer Rammellzee, figura seminal do hip-hop, artista, filósofo da cultura urbana e um excêntrico dos que já não se fazem. A palavra Rammellzee, dizia o próprio, é uma fórmula quântica. O graffiti, a libertação da letra escrita. As letras, armas de um poder místico.

Rammellzee contraria no bom sentido a ideia que eu tenho do hip-hop, que não é a melhor. Mas isso é porque o hip-hop que me chega é arrogante, vazio, a anos-luz em termos estéticos e históricos do hip-hop que lhe deu origem. O hip-hop dos anos 80 veio da urbe, e surgiu de uma necessidade de expressão de uma geração à margem, que nasceu e cresceu ali, sem conhecer mais nada, e tinha uma verdadeira relação com a cidade. Rammellzee foi contemporâneo da Nova Iorque de Keith Harring e Basquiat (que desenhou a capa para o clássico "Beat-Bop"), altura em que o espaço urbano entrava em revolução. A arte e música de Rammellzee lembram-me do caleidoscópio que é o espaço urbano, um caos do orgânico-biológico-humano e do inorgânico-artificial-construção, algo surpreendentemente parecido com o que para mim é o dubstep.






O filme Downtown 81, com Jean-Michel Basquiat,
dá a ideia de qual o ambiente na NYC da altura.



War of the Worlds vs. Dubstep


Quem acompanha este blog (se é que alguém acompanha este blog), sabe que sou um grande entusiasta de Dubstep. Aqui fica o resultado de uma experiência: War of the Worlds vs. Dubstep. É uma mistura entre ficção científica e um passado da origem da máquina industrial, um presente alternativo. Oiçam.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

How To Destroy Angels

Trent Reznor gosta de drama. E dos media. Gosta de significados e de criar uma narrativa, principalmente se for uma história em que ele é a personagem mais importante. Disse que os Nine Inch Nails iam acabar, mas depois já não. Deu à última tour, em 2009, o nome "Wave Goodbye". Disse até que os Nine Inch Nails iam deixar de fazer performances ao vivo, ou pelo menos da mesma maneira. Colocou à venda no e-bay boa parte dos instrumentos musicais históricos da banda e outra parafernália, e parecia que os NIN eram História.
Pelo menos era a mensagem que Trent Reznor queria passar. Só que para quem acompanha este homem há algum tempo, sabe que apesar de ser anti-sistema, Trent Reznor é um músico nato e um businessman engenhoso, com uma panca para o drama.
É claro que os NIN não vão acabar, nem daqui a 10 anos. Nem sequer depois da criação do seu novo projecto, How to Destroy Angels.
Trent estava a guardar a surpresa para nova viragem na carreira e o lançamento de nova banda e novo EP na net. HDA junta Trent Reznor a Atticus Ross, o colaborador de estúdio dos últimos 4 álbuns dos NIN, e Mariqueen Maandig, ex-vocalista dos West Indian Girl e recente esposa de Reznor.
A verdade é que os NIN tal como estavam não estavam a evoluir para lado algum, e Trent sabe-o. Este projecto parece uma pausa-para-pensar de um projecto de uma vida inteira que são os NIN. Pelo menos agora ninguém pode acusá-lo de não ser prolífico.

O resultado não é completamente satisfatório. A sonoridade é ainda quase tudo Nine Inch Nails, mas a introdução de uma voz feminina é algo completamente novo e uma boa surpresa. As músicas incluem as típicas distorções e as batidas repetitivas, decadentes mas potentes. A estrutura do álbum segue o modelo de álbuns anteriores dos NIN, inclusivamente na faixa final, um requiem do género Hurt, algo que Trent repete de álbum para álbum.
Os HDA ainda não têm uma identidade.
Mas o problema com este EP dos HDA não tem nada a ver com nenhuma destas coisas - é o mesmo problema dos últimos álbuns de NIN, e portanto o problema é Trent Reznor, que é apenas uma sombra do Trent Reznor da obra anterior. A energia esgotou-se e a fórmula instalou-se. Nada de novo.
O vídeo de Spaces in Between é, no entanto, bastante intenso e uma grande mudança de estilo relativamente a videos anteriores dos NIN.

EP grátis para download aqui.

ANBB



O novo projecto ANBB junta Blixa Bargeld (dos Einsturzende Neubauten) e o génio do microbeat, Alva Noto. O EP que resulta da colaboração chama-se Ret Marut Handshake e sai a 21 de Junho. São dois dos meus autores favoritos, portanto não pode desapontar.
Aproveito para fazer publicidade à minha loja de discos favorita e provavelmente a única em Lisboa que deverá comercializar este EP: a Flur. O álbum que se segue chama-se Mimikry.